A TRAVESSIA DO SÉCULO E O ENCONTRO DA DIFERENÇA

 

Geysa Silva - UFJF

 

 

Discutir hoje a questão dos nacionalismos é perceber que o conceito de identidade deslocou-se das relações internas de determinado grupo para situar-se nas fronteiras, lá onde a diferenciação se inspira para renovar-se e distinguir-se dos traços culturais que lhe são vizinhos. O nacional, portanto, não é uma essência a ser descoberta e revelada; é um conjunto de símbolos facilmente reconhecíveis, produzindo uma imagem convincente e criando ligações afetivas entre pessoas que lutam por direitos e procuram conquistar espaços sociais. Assim, a antropologia contemporânea abandonou o referencial das etnias para adotar a etnicidade ou lugar do intercultural, um modo particular de consciência de si que legitima reivindicações de direitos coletivos. É evidente que os esquemas usuais de estudo da identidade cultural tornaram-se mais complexos, recusando-se a relação pura e simples entre identidade e nação. É o rompimento da exclusividade dessa perspectiva que permite repensar a diferença, superando o culto do exótico e até mesmo da banalidade.

É óbvio que as novas posturas acadêmicas, diante desses problemas, estão inseridas no debate maior da globalização, incluindo aí o desaparecimento das chamadas culturas tradicionais. Processo histórico, ideologia, fatalidade econômica – tudo isso diz respeito a um emaranhado de lugares–comuns e indica o “mal-estar da civilização” (retomando Freud) que se disseminou pelo mundo, exibindo contradições e provocando angústias.

O problema que se coloca hoje, após a dissolução da euforia modernizante, é procurar respostas possíveis para questões que dizem respeito ao indivíduo e suas relações com o macro e o micro social, conectando o semelhante com o diferente, ou melhor, a “alteridade” com o que Octávio Paz chama de “outridade”.

 

O fenômeno moderno da incomunicação não depende tanto da pluralidade de sujeitos quanto do desaparecimento do tu como elemento constitutivo da consciência (...) A imagem poética não é invenção, mas descoberta da presença. Descobrir a imagem do mundo no que emerge como fragmento ou dispersão, perceber no uno o outro, será resolver à linguagem sua virtude metafórica: dar presença aos outros. A poesia: procura dos outros, descoberta da outridade.[1]

 

A eliminação das distâncias, que por meios “físicos”, quer por meios virtuais (se é que se pode fazer essa diferença), suprimiu o isolamento de certas comunidades, porém nos obriga a repensar o lugar da diferença e o fenômeno de sua persistência em um mundo cada vez mais globalizado.

Tendo em vista que o problema da diferença não é exclusivamente contemporâneo, a literatura em geral, e a literatura hispano-americana em particular, mostram-se interessadas em recuperar as principais representações da diferença que alimentaram o imaginário ocidental, antes e depois da descoberta da América. Rumo ao passado, as narrativas de fundação navegam teoricamente para demonstrar a percepção da alteridade que se construiu ao longo da nossa história, salientando que os julgamentos sobre o Outro sempre procuraram colocá-lo em posição de inferioridade.

 

Si esas tierras que voy a descubrir no tienem oro, lo cual las haría inutiles y perdidas, de seguro tendrám gente. Se puede laprender a toda ella y traella como esclavas y consumilla en las minas y aùn vendella a buen precio en las granjerías de la mesma España, y aun del resto de Europa.[2]

 

Esse trecho, destacado de Vigilia del Almirante, do paraguaio Roa Bastos, enuncia o olhar europeu como submissão das diferenças e particularidade aos interesses do colonizador, ou ainda como um discurso voltado para a justificação da necessidade de dominar o Outro. A História da América nos oferece muitos exemplos do imaginário do ocidente em significativas imagens do aprisionamento do Outro, legitimando a submissão do diferente. O feito de Colombo obrigou os europeus a tomarem conhecimento de um mundo natural e humano desconhecido e isso provocou, sem dúvida, uma revolução na maneira de perceber o Outro. Entretanto, essa mudança não foi imediata, pois foi preciso que se passassem alguns anos para que a América surgisse como um Novo Mundo. Os direitos dos selvagens, mesmo quando defendidos por Francisco de Vitória e Bartolomeu de las Casas, por exemplo, preocupam-se em definir a humanidade americana de modo a consolidar um consenso a respeito da legitimidade da evangelização e até mesmo da escravatura:

 

Estando assim os índios bem encaminhados na fé, com mui grande alegria dos irmãos religiosos e esperança de poder levar a Jesus Cristo a todos os habitantes desse reino, que restavam em pequeno número em virtude das matanças e guerras passadas...[3]

 

 

A literatura finissecular tenta resgatar, então, nosso passado a partir da problemática do presente (a globalização), acenado com o desejo de conhecer a alteridade nela mesma, deixando de vê-la como elemento da natureza para inseri-la no reino dos costumes e da História.

Trata-se de uma nova forma de conhecimento que exige uma atualização constante, a partir da tomada de consciência necessária ao reconhecimento da distância entre o texto e o evento, supondo, entretanto, a participação da literatura que, nas palavras de Octavio Paz, nos faz recordar o que queremos.[4]

Espanhóis e portugueses trouxeram para a América o conceito de “bárbaro”, herdado da Grécia Clássica – aquele que está fora do domínio da lei e é, portanto, não-humano. A oposição entre civilização e barbárie, assim articulada, com seus preconceitos contra sociedade não-urbanas, sem propriedade e sem fixação territorial, atingiu plenamente os povos pré-colombianos, negando-lhes a condição humana.

 

Os espanhóis, com seus cavalos, suas espadas e lanças começaram a praticar crueldades estranhas; entravam nas vilas, burgos e aldeias, não poupando nem as crianças e os homens velhos, nem as mulheres grávidas e parturientes e lhes abriam o ventre e os faziam em pedaços como se estivessem golpeando cordeiros fechados em seu redil.[5]

 

É essa dicotomia, ainda presente em vários segmentos sociais, que a literatura procura erodir, apresentando a identidade como politização da diferença. Ao mesmo tempo, vai desvanecendo-se a idéia de que é possível coincidir uma cultura com um território e uma organização política, que seriam os fatores de formação de identidade; identidade essa que sempre fora, realmente, a domesticação da diferença. A cultura deixa, então, de ser mero patrimônio transmitido de forma rotineira e surge como respostas diversas a demandas sociais diferenciadas e como expressão de significados do mundo simbólico, do valor do silêncio e da escrita, paradoxalmente mediatizados pela palavra.

                       

A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,

foi inventada para ser calada.

Em momentos de graça, infrequentíssimos

se poderá apanhá-las: um peixe vivo com a mão.

Puro susto e terror.[6]

 

É a palavra poética que vai fazer a revelação da diferença, expondo os fatos de uma forma distinta da função puramente referencial da história, despertando um sentimento de identidade profunda que abre, para os ibero-americanos, um modo de ver e de ser. A esse respeito vale lembrar não só a diversidade étnica dos indígenas como interrogar:

Ao descobrir a América, qual era a identidade dos que aqui chegaram? A tripulação das caravelas estava longe da homogenização que lhe emprestara a historiografia oficial. Observe-se o diálogo imaginário entre o Almirante e Fray Juan Buril. Usted sabe que don Luiz de Santágel es judío converso. El conoce mi origen judío que me viene resbalando en la sangre de abuelo en abuelo desde hace siglos.”[7]

Espanhol, genovês, judeu, Colombo tem ainda hoje a origem discutida, selando com sua incerteza a multiplicidade de etnias que desde o início marcou a formação da identidade e cunhou a diferença dos povos americanos. É importante, contudo, que se estabeleça, como ponto inicial do debate em torno dessas questões, a seguinte indagação: é possível conhecer o Outro sem, no próprio processo de seu conhecimento, reduzi-lo ao Mesmo? Colombo, exemplificando essa redução, encontra, nas terras recém-descobertas, sinais do Velho Mundo: prados, temperaturas, flores e frutas como os de Castela e Andaluzia. O espaço grandioso abre a imaginação, porém os referenciais são limitados; por convicção ou por interesse, o Almirante vê em tudo sinais da Espanha. “El tiempo es aqui muy grande avanzar esta mañana luminosa en la que no falta sino oír el canto de ruiseñor.”[8]

Roa Bastos apropria-se do documento histórico (Diários do descobrimento da América) não como texto tutor, mas como arquivo de imagens. A escrita torna-se visualização, quando o texto é ilustrado por outro que pertence ao corpus de fundação do imaginário e a arte realiza a etologia da cultura, assumindo a intenção de testemunhar e documentar. Assim, ao relatar a lenda do Piloto desconhecido, que, supostamente, teria dado um mapa a Colombo, com a localização da América, Roa Bastos levanta uma possibilidade histórica muitas vezes desconhecida do leitor não especializado.

 

La identidad del Piloto, o más bien, los confusos datos, de esta fantasmal identidad, empezaron a ser “desvelados” tardiamente. El primer en hacerlo fué el Inca Garcilaso, más de um siglo después del Descrubimiento. En la primera parte de sus Comentarios Reales, la leyenda del Piloto desconocido, no negada como leyenda por el gran cronista, toma forma, nombre y nacionalidad; los del navegante Alonso Sánchez de Hueba. La leyenda se hace en cierto modo historia para el Inca. Los tiempos se precisam, los personajes se definen en un hecho irrecusaable; los primeros hombres blancos llegaron a las Antillas diecisiete años antes del Descubrimiento.[9]

 

Roa Bastos consegue a síntese entre a problemática estética e cultural, não só utilizando o distanciamento no tempo, como também através da ironia e dos diálogos intertextuais, como se pode comprovar com a citação anterior, pertencente aos Diários. Não há apenas um narrador épico a contar sua história; a combinatória dos gêneros e das partes configura a narrativa como colagem, em que se estabelece uma inusitada ordem textual, compatível com a complexidade histórica. A linguagem concretiza-se em discurso vários, despreza o narrador onisciente para manifestar-se numa polifonia de vozes e entrecruzar de discursos, sem se dar ao leitor um ângulo privilegiado do fato histórico. Os capítulos de Vigilia del Almirante explicitam essa variedade, ao intitular-se de maneira inusitada “Cuenta el Almirante” (p. 13, p. 115, p. 216, p. 289, p. 305); “Cuentam los cronistas” (p. 63.); “Cuenta el narrador” (p. 82, p. 118, p. 268, p. 335); “Cuenta el ermitaño” (p. 354).

O Almirante az suas intervenções na narrativa sem nunca assumi-la integralmente, fragmentado-a com suas interrupções e retomadas. Por sua vez o narrador-autor, mascarado quase sempre, desvela o processo de escritura, fazendo da meta-enunciação o meio que conduz o leitor à reflexão crítica da narrativa.

 

Los relatos del capítulo anterior están entresacados del Diário de a bordo y en parte de los borradores del Libro del Libro del Descubrimineto. Componen estos pasajes el memorial que el Almirante asegura haber enviado a los Reyes desde Guanahaní, pocos dias después de su arribo a la recién bautizada isla de San Salvador.[10]

 

 

É justamente na confluência dos vários discursos que a narrativa encontra um caminho original, exibindo a diferença que caracteriza os universos social e individual nela relatados e, concomitantemente, apresenta, do ponto de vista literário, suas formas singulares e inovadoras. A instauração de diversos pontos de vista impede que a viagem do Almirante seja um mero dado referencial. O desdobramento das perspectivas aí configuradas encena não só a heterogeneidade discursiva, mas também os inúmeros efeitos de sentido provocados pela diversificação dos narradores. A vigília, enunciada no título do romance, é concretizada na própria narrativa e aparece como metáfora da condição necessária à sobrevivência das culturas condenadas à globalização e como realidade da personagem Almirante.

 

Quiere este texto recuperar la carnadura del hombre comúm oscuramente genial, que produjo sin saberlo, sin propornérselo, sin presentirlo siquiera el mayor acontecimiento cosmográfico y cultural registrado en dos milenios de historia de la humanidad. Este hombre enigmático, tozudo, desmemoriado para todo lo que no fuera su obsesión, nos dejó su ausencia, su olvido. La historia le robó su nombre. Necesitó quinientos años para nacer como mito.[11]

 

O recurso ao documento, imbricado a outros discursos que simulam o factual, instaura uma ordem singular em que o narrador nomeia aspectos da realidade não percebidos até então. O jogo linguístico confronta atitudes diferentes diante da vida. A estratégia é a valorização do Outro, a observação e a nomeação da diferença que o Almirante passou a interpretar como animalidade,

           

Yo tengo el juicio ya libre y claro, limpio de la amrga y continua leyenda que sobre él acumularon los fechos y las fechas y los malfechos de mi honra. Pido cuan encarecidamente ser pueda perdón a los historiadores y Cides Hametes Benegelis de la vera historia que mi vida tener pueda. A mi sólo me tocó vivirla. A ellos les tocará revivirla, que es la parte más enganosa y dificil de la obsesión de narrar.[12]

           

Se Colombo considera os índios como bestiais, realizando o prólogo de uma visão que se desenvolveria pelos séculos seguintes, Roa bastos cita o texto de Colombo para mostrar, nesse epílogo do século XX, quem eram os verdadeiros possuidores de bestialidade e denunciar a violenta supressão do Outro, objetivado pelo olhar europeu.

 

Sentía que su piel tortada por el sol de hierro de esas latitudes era más inpenetrable que el metal de los petos. Su desnudez era el signo más visible de su bestialidad natural a la que no se podia pedir ni exigir modales cautos por manera civiliçada.[13]

 

Em Vigilia del Almirante, a consciência, que falta ao Almirante e aos outros membros da expedição espanhola, comparece à narrativa, funcionando como remontagem da cena original, sacralizada pela força ritualística da escritura. A aculturação imposta aos habitantes das terras americanas, talvez a grande obra finissecular dos Reis Católicos, converte-se em tema de uma literatura que enuncia uma nova forma de resistência, através da sutil ironia, tentando viabilizar a superação do “boom”, surgida em meados deste século.

 

Y el hombre es la substancia más maleable y deleznable que existe. Depende de lo que se haga com ellos en una situación determinada. Los héroes se diferenciam muy poco de los criminales. As veces éstos son má héroes y los heróes más criminales.[14]

 

Ao acompanhar a obra de Roa Bastos, pode-se perceber no projeto estético do autor, uma continuidade do projeto idealizado pelo realismo maravilhoso, que pretendia encenar a diferença exibindo o fantástico de nossas vidas. Roa Bastos, que sempre tratou a história como leit-motiv de seus romances, vai em busca da figura inaugural de nossa realidade, tantas vezes injusta e opressiva.

Ao criar uma realidade imaginária, a literatura passa a criar significado do mundo; a narrativa engendra uma realidade ficcional, rompendo seus compromissos com o documento e constituindo-se não como expressão de um conteúdo conhecido a priori, mas assumindo-se como invenção que desmistifica a pretensa supremacia da verdade histórica. Para que o leitor perceba a subverção operada pelo escritor paraguaio, é necessário atentar para as modificações que a literatura hispano-americana vem sofrendo na pós-modernidade, pois em Vigilia del Almirante a História não é mero pretexto da criação literária, é algo que lhe é interno e dramatiza a cultura, dirigindo-se a todos aqueles que, em nossa terra em transe, procuram formas de resistência à globalização contemporânea. Lo imposible no existe. Lo imposible no es sino la cadena de posibles que no há empezado a cumplirse todavía[15].

O jogo multiplicado de narradores descaracteriza a imago mundi legada pelo descobridor e reflete a impossibilidade teórica e prática na qual nos encontramos, hoje, de viver ainda a história como uma linha unitária que teria um sentido e no horizonte da qual poderíamos definir valores.[16] Coloca-se aí, também, a questão do sujeito do conhecimento que se torna uma ficção, articulada às leis e à causalidade. Isso significa que a História não pode reduzir-se às relações entre causa e consequências, pois como afirma Nietzsche, as coisas não se comportam regularmente, de acordo com uma regra: não existem coisas (- são ficções que inventamos): e, na mesma medida, não se comportam sob o constrangimento da necessidade.[17] Na variabilidade de pontos de vista há o discurso que diz o novo, mas também o que se realiza como contradiscurso e há ainda a demolição crítica do que foi herdado, já que a experiência do presente exige a descoberta de argumentos e de uma escritura capaz de derrubar os obstáculos à singularização. Ao invés do ressentimento ou da vingança, os americanos doam generosamente seu leite incorrupto ao conquistador e fazem-no filho da terra por ela ultrajada.

 

Com suavidad maternal ella depositó al infante en el suelo; después metió um pezón en la boca del Almirante. La leche se derramó blanquissima sobre la barba. La mujer probó com el outro pezón y entonces el Almirante empezó a succionar como si de verdad el também empezara a probar el alimento vital por primera vez en sua vida.[18]

 

            Essa capacidade de inverter situações é o que Roa Bastos procura encontrar, acenando com a esperança de que sejamos capazes de vencer o medo da homogeneização pós-moderna, para realizar a diferença singularmente; o que é preciso acreditar que

 

Cada indivíduo es infinito y misterioso como el universo mismo, y ante cada uno la imaginación tiembla sin saber por dónde comenza para enternderlo y menos aún en qué punto terminar. Por lo cual ninguna historia tiene principio ni fin y todas tienen tantos significados como lectores aya.[19]

 

 

 

Referências Bibliográficas:

 

JAMESON, Frederic. As sementes do tempo. Trad. José Rubens Siqueira. São Paulo: Ática, 1997.

LAS CASAS, Frei Bartolomé de. O paraíso destruído. Porto Alegre: L & P.M., 1984.

NIETZSCHE, Friedrich. The will to power. New York: vintage Books, 1968.

PAZ, Octávio. Signos em rotação. Trad. Sebastião Uchoa Leite. 1976.

PRADO, Adélia. Bagagem. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1979.

ROA BASTOS, Augusto. Vigilia del Almirante. Buenos Aires: Sudamericana, 1992.

VATTIMO, G. Fim da modernidade, fim da história. Jornal de Letras, Artes e Idéias. Lisboa, 8 a 14 de junho, 1987.



[1] PAZ (1976), p. 102.

[2] ROA BASTOS (1992), p. 185-186.

[3] LAS CASAS (1984), p. 72.

[4] PAZ (1976), p. 46.

[5] PRADO (1979), p. 30.

[6] Id. ibid., p. 30.

[7] ROA BASTOS (1992), p. 244.

[8] Id. ibid., p. 296.

[9] Id. (1972), p. 78.

[10] Id. ibid., p. 335

[11] Id. (1992), prefácio.

[12] ROA BASTOS, (1992), p. 383.

[13] Id. ibid., p. 311.

[14] Id. ibid., p. 31

[15] Id. ibid., p. 30.

[16] VATTIMO, (1987), p. 17.

[17] NIETZCHE, (1968), p. 337.

[18] ROA BASTOS (1992), p. 361.

[19] Id. ibid., p. 383.